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quinta-feira, junho 21, 2007

O Bardo

O Bardo*

O coração do Bardo respondia a um chamado.
Nas distantes terras do Ulster sua habilidade era requisitada.
Sua razão era desconhecida, mas ao Bardo só restava iniciar sua jornada.
Caminhou então, em direção ao norte, seguindo o desejo de seu coração desesperado.

Guerra e tristeza foi o que encontrou,
Pois o coração dos homens clamava por luta e vingança.
E o sangue continuava a jorrar frente a tamanha matança.
Ao chegar, depois de muito pesar, o Bardo não acreditou.

Seu coração o alertou sobre o fim de seu caminho.
Nem jovem, nem velho. Nem homem, nem mulher escapava da guerra.
Para ele era claro que era chegado o fim de uma era,
Mas só o que fez foi pensar em todos com carinho.

Sentou-se numa pedra e começou a tocar e cantar,
Ao fundo ouvia-se apenas as espadas e lanças a ecoar.
Sua música aumentou e com ela as batidas de seu coração.
Atingidos por tão sincera melodia, espada e lança baixaram perante a canção.

Depois de muito tempo, o ardor das armas perdeu seu poder,
E as palavras do Bardo superavam o mais hábil dos guerreiros.
Todos caíram como que por um feitiço que parecia nunca esmorecer.
Sua canção aumentava cada vez mais,
Mas apenas para encontrar mais e mais lugares em que ela tivesse significado.

E, bravamente, o Bardo entoava suas histórias e instaurava a paz.
Do interior do que seria a última chacina veio a Luz.
Dentro de um belo vestido azul estava a imagem capaz de esmorecer o ímpeto do rapaz,
Mas nem mesmo essa visão o fez desistir de sua missão.
De ao outros mostrar a compaixão mesmo que para isso perdesse seu coração.

E assim foi até que a última das batalhas tivesse acabado.
E seu valente coração o abandonado.
Lá deitou o Bardo, nos braços daquela que o convocara,
Para que de suas palavras surgisse um novo começo.

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* Foi esse poema que começou com tudo, que mostrou meu caminho bárdico e foi o responsável pela criação desse blog. Como uma nova fase se inicia, nada melhor que invocar a pedra fundamental de meu trabalho. Abraços a todos!

terça-feira, junho 19, 2007

A Balada de Cathain

A Balada de Cathain*

Das brumas da memória a deusa é convocada.
Assim ergue-se Cathain, a justa.
Lutando igualmente por todos os homens.
E também por amantes abandonados.
Numa alta torre, que ninguém era capaz de abrir,
Seu coração foi trancafiado.
Até surgir um príncipe do Leste do Ulster.
Seu nome era Conchobar.

Nos dias treinava a arte das armas
Com a deusa, espada, maça e arco.
E, à noite, ascendia o ardente fogo da paixão,
Que apenas os amantes conhecem.
Então, o guerreiro tornou-se rei,
Depois de muitas batalhas sangrentas e apaixonadas.
O trono pertencia a Conchobar
E Cathain, para a memória retornou.

Inimigos sombrios levantaram-se contra o rei,
Desafiando-o por seu trono.
O destino do Ulster ficaria na balança,
Sem seu campeão.
Um druida partiu para fazer um sacrifício.
Uma oferenda a Cathain.
Uma bela donzela com cabelo dourado
Morreria não uma, mas duas vezes.
Duas vezes.

Mas Cathain não mais retornaria,
Para lutar a guerra do rei.
Enquanto o druida não fizesse a honraria,
Na distante Conamara.
A virgem Iona, pura e doce,
Deitou-se na mesa livremente,
E na sedenta pedra de Corclach
A inocente foi sacrificada.

A deusa guerreira surgiu em fúria
Do berço do Mar do Oeste.
Milhares ela matou com seus punhos de aço,
Naquele dia sangrento.
Salvou o reino e cumpriu sua tarefa,
E desapareceu sob ondas espumantes.
Até que o sacrifício dos filhos de Ulster
Clamassem, novamente, por seu retorno.

==
*Tradução da canção The Ballad of Cathain, de Grant Lee Phillips. Recebi essa música há anos e sempre tenho escutado, mas só hoje resolvi arriscar uma tradução/adaptação para o português. Quem conhece minha história vai entender o porque isso, especialmente por se passar no Ulster.

Original abaixo.

The Ballad of Cathain

Bid goddess rise from mists of memory
Rise the fair Cathain
In battle the equal of every man
And every lover disdained
Her heart was locked in a roundtower's keep
And none that gate could unbar
Till rose a prince in Ulster's east
His name was Conchobar

By day she taught him feats of arms
With sword and mace and bow
By night they kindled passion's fire
That only lovers know
So king and warrior thus were joined
In battles blood and love
The throne belonged to Conchobar
To Cathain the Witch's Glove

Dark rivals rose against the king
To challenge for his throne
All Ulster in the balance hung
Without its champion
A druid he sent to sacrifice
An offering to Cathain
A maiden fair with flaxen hair
Not once but two times slain
Two times slain

Ooh ooh ooh

But Cathain she would ne'r return
To fight the kings own war
Till druid did a virgin bring
To Conamara far
The fair Iona pure and sweet
On the self-same table lain
And by the Corclach's hungry stone
The innocent was slain

Hey hey hey
Hey hey hey

In rage the warrior goddess from
The Western Sea arose
Her bloody gauntlet dealt that day
A thousand fierce deathblows
The kingdom saved her quest complete
She sank beneath the waves
Till Ulster's sons with sacrifice
Bid her return once more.